sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Homenageando Drummond.

Hoje não fui trabalhar por conta do feriado prolongado, instituído pelo nosso governador. Mas acordei cedo mesmo assim. Eu diria "maldito, Murphy!" e poderia tentar voltar a dormir, não fosse o fato de eu ter pego um Drummond na prateleira para passar o tempo, antes de eu me levantar de verdade, aproveitando a oportunidade do ócio.

Dezembro é sempre a mesma coisa. Neste ano, a única mudança que realmente notei foi a Patrícia Poeta na bancada do Jornal Nacional. Vamos ver se até o dia 31 teremos algumas surpresas; afinal, nunca se sabe... E eis que uma das crônicas, no entanto, chamou minha atenção às gargalhadas, a qual quero compartilhar com vocês:

ASSEMBLÉIA BAIANA


O Sr. Presidente – Tem a palavra o Sr. Deputado Marta Rocha.

O Sr. Marta Rocha (movimento geral de atenção; palmas no recinto e nas galerias) – Sr. Presidente, ao subir a esta tribuna...

Vários senhores deputados – Muito bem! V. Ex.ª está-se exprimindo com rara eloquência e felicidade.

O Sr. Marciano Condeúba – Não apoiado. V. Ex.ª não sobe à tribuna. Esta é que, com muita honra, se alça até V. Ex.ª.

(Novas palmas e vivas nas galerias.)

O Sr. Presidente – Atenção! Peço às galerias que não se manifestem.

O Sr. Demóstenes Latino – Sr. Presidente, rogo a V. Ex.ª, em nome da velha Grécia e dos imortais princípios de 2 de julho, que admita, neste caso excepcional, a manifestação irreprimível das galerias.

O Sr. Presidente – Atendendo às ponderações do líder da maioria, permito às galerias que se manifestem com três hurras, terminados os quais voltará a prevalecer o regimento. (Ouvem-se três hurras e muitos fius.) Prossiga o nobre orador.

O Sr. Romualdo Alecrim – Um momento, Sr. Presidente. O nobre líder da maioria devia ter dado uma chance à minoria para também se solidarizar com as justas expansões do povo, pois é evidente que, numa hora solar como esta, cessam as distinções partidárias. A oposição também é filha de Deus.

O Sr. Marta Rocha – Como dizia, Sr. Presidente...

O Sr. Demóstenes Latino – V. Ex.ª não precisa dizer nada. Os elevados pensamentos políticos de V. Ex.ª estão estampados em seu rosto. Esta Assembléia em peso sente-se feliz em apoiar as considerações implícitas e aurifulgentes de V. Ex.ª.

Outros senhores deputados – Bravo! Já disse tudo!

O Sr. Noé da Anunciação (com as mãos em concha) – Deixa a mocinha falar, gente!

O Sr. Marciano Condeúba – O venerando colega não escutou a música dos anjos?

O Sr. Noé da Anunciação – Como, meu filho? Ando meio duro de ouvido, depois daquele acidente de tílburi, no Largo da Sé, em 85...

O Sr. Marta Rocha (tira da bolsa batom e espelhinho, e aplica-se meticulosamente a retificar a linha dos lábios. Terminada a operação, sorri. Um clarão celestial espalha-se pelo recinto. Os senhores deputados quedam-se em êxtase nas bancadas, as galerias fazem o mesmo; o Sr. Presidente, com as mãos no queixo, tem uma particular expressão de beatitude) – Bem, Sr. Presidente...

O Sr. Caribé – Vá ser bonita nos quintos dos infernos, puxa!

O Sr. Noé da Anunciação – O que é que esse moço aí tá dizendo?

O Sr. Caribé – Nada, não.

O Sr. Firmino Azedo – Sr. Presidente, tudo isso está muito bem, mas lembro à casa que há quatro anos seguidos não votamos a proposta de orçamento do Estado, remetida pelo eminente Governador Pedrinho Calmon. A Assembléia não aprovou sequer o projeto de aumento de subsídio. Sei que estou sendo impertinente, mas a Bahia, que a todos nos julgará...

O Sr. Demóstenes Latino – Sr. Presidente, em nome da maioria protesto contra as insinuações malévolas do nobre deputado. A Bahia é testemunha de que se não foi possível produzir mais nesta legislatura é porque, Sr. Presidente...

O Sr. Romualdo Alecrim – Claro, claro! A minoria, por sua vez, repele a acusação inepta e infeliz. Dou testemunho de que nunca fomos tão assíduos a esta casa, e que passamos a nos reunir de janeiro a dezembro, sem parar. Se não há projetos votados, devemos atribuir o fato...

O Sr. Presidente (dirigindo-se ao Sr. Firmino Azedo) – O nobre deputado está expulso deste recinto! (Sensação.)

O Sr. Crispim Moreno – Sr. Presidente, no dia em que for restabelecida a votação, pedirei preferência para o meu projeto que modifica o sistema métrico decimal. Esse sistema permitiu a inqualificável prevaricação do júri capitalista de Long Beach, há quatro anos, que privou nossa pátria do título mundial a que fazia jus. Os infames trustes petrolíferos, por uma questão de poucas polegadas...

O Sr. Demóstenes Latino – Malgrado a orientação doutrinária do nobre representante de Ilhéus, proponho, Sr. Presidente, que o seu projeto seja votado imediatamente, de pé, e por aclamação.

(Tempestade de aplausos nas galerias.)

O Sr. Presidente – Atenção, atenção, as galerias não podem votar! Bem, já votaram. Está aprovado o projeto!

O Sr. Marta Rocha (sorrindo novamente) – Sr. Presidente, tenho dito.

(Delírio. O orador é carregado em triunfo.)


ANDRADE, Carlos Drummond de. Assembléia Baiana. In: _______. Fala, amendoeira. 13. ed. Rio de Janeiro: Record, 1990, p. 15-18.


Ai, ai, viu? Depois eu queria chorar (de vergonha). Esse Drummond...



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segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Em plena falta de assunto...

Que horário de verão é esse, hein? Além de ter de acordar mais cedo, vêm esse frio e essa chuva incessantes, atrapalhando o despertar e as realizações devidas em tempo hábil! Nem sombra no poste tem...

Passei o fim de semana em casa. Nada na TV. Mudo os canais e as notícias se tornando um tanto previsíveis: violência urbana em alta, futebol e seus patrocinadores, corrupções em todos os níveis, caos na saúde pública, o ENEM e seus rolos... e muitas igrejas prometendo vitórias através de carnês.

Enquanto isso, na sala da justiça, nossos super-heróis viram nostálgicas representações imagéticas nos perfis feicebuqueanos. Do lado de cá, nenhuma surpresa ou otimismo, a não ser pela arte. Esta que sempre está a nos salvar quando menos se espera. Pois, se há esperança, o que dá base é a fé.

Devo mesmo é agradecer ao infortúnio clima de inverno na primavera, já que me proporcionou passear pela música e pela poesia soltas e perdidas (ou achadas?) no Google e no Youtube. Tenho escutado muitas coisas interessantes. De modo que pude experimentar novas sensações diante de sons e palavras incríveis.

Que fique claro: interessantes para mim. Acho pretensioso impor nossos gostos a outrens. Mesa de bar é bom, mas cansa. Há vezes em que é preciso ordenar as falas e a pauta para que não saiam discussões inúteis ao cotidiano, atingindo as relações interpessoais sem um mínimo de bom senso. Embora, são nessas ocasiões onde também posso admirar o verdadeiro sentido da democracia: conflitar ideias. E mais ainda: viver a liberdade de expressão sem culpas. Mas expressar o quê mesmo? Será que estamos vivendo em plena falta de assuntos?



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segunda-feira, 18 de julho de 2011

Pedestre ou motorista?

Hoje pela manhã, num programa de rádio, houve muitas reclamações contra a recente instalação de um semáforo localizado em uma cidade circunvizinha a Salvador. Pessoas se queixavam do longo engarrafamento provocado pela mudança ocorrida no tráfego, descerrando todo tipo de agravo à prefeita de lá.

O engraçado é que nenhum pedestre ligou reclamando. Imagino que, de algum modo, a instalação tenha sido em benefício destes. Até porque, que eu entenda, políticas públicas são prioritariamente voltada às pessoas, e não para os carros. Porque antes de ser motorista ou ter um carro, todo mundo é pedestre. E antes de ser pedestre, todo mundo é cidadão. Mas a gente se esquece disso.

As mesmas pessoas que criticam a crise de valores pela qual passamos são as primeiras a reclamar em favor próprio, isto é, em favor de suas máquinas. Exemplo é que, numa das ligações, ao se queixar dos desgovernos públicos ante a mobilidade urbana, um ouvinte relatava a dor que ele sentia, e ele disse assim mesmo - "como dói" -, quando o carro novo dele passava por um buraco.

É que o cidadão é a própria máquina, coisificado pelo capital, que inverte a lógica e nos desumaniza, fazendo com que o sentimento de existência venha pelos objetos. Objetos que supostamente nos fazem ser sujeitos. Objetos que nos conduzem às queixas como consumidores insatisfeitos, apenas consumidores. Mas a gente se esquece disso.

Haja esforço para se manter humano, demasiadamente humano. Também quero exercer a cidadania; vamos tentar? Talvez, na situação de motorista, eu ficaria p... da vida. Só que compreendo muito bem como é o risco de atravessar na faixa de pedestre, abaixo do redundante semáforo vermelho a indicar nosso direito. Pois, ainda assim, motoristas vêm desgovernados, apressados e cheios de si, empoderados pelo ronco de seus enfurecidos motores.

Aprendemos desde criança a olhar para os dois lados ao atravessar a rua. E por que não aprendemos a olhar para os dois lados diante de um fato? Nunca se sabe quem vem de lá, mas podemos imaginar como é estar na pele do outro. Nesse caso, aquele sujeito-pedestre ali, que precisa caminhar até a próxima calçada, em seu digníssimo direito, talvez tendo a mesma pressa que você para chegar ao local de trabalho e, enfim, bater seu ponto são e salvo. Mas a gente se esquece disso.



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sexta-feira, 17 de junho de 2011

Eu e os barulhos do silêncio musical.

Vivem me pedindo para eu atualizar isto aqui com mais frequência, só que minhas inspirações me dominam. Quem não queria que fosse o contrário? Se alguém consegue, por favor, me ensina, tá? Mas vamos ao que interessa:

Eu estou de (merecidas) férias, escutando amiúde no fone de ouvido um CD novo que comprei. É que assim percebo melhor cada arranjo, é quando as melodias me balançam melhor e o ritmo se aproxima de meu comboio de cordas. E é assim que as letras começam a fazer mais sentido para mim. Quando desperto, ali estou eu, seja no ônibus ou no meio da sala, dançando e sorrindo para o nada!

Pois bem. Você já reparou como o silêncio e o barulho entre um acorde e outro, cada pausa e a interpretação têm de estar bem sincopadas? Eu sempre viajo nisso... Quando eu era estudante e morava numa República, tinha uma amiga que, como eu, assobiava todos os arranjos. A gente sabia de cor os tchans, prins, pruns e demais barulhinhos que quase passam despercebidos a ouvidos nus. Nós sempre ríamos muito de nossas coincidências rítmicas!

Como sempre, fico cá a pensar sobre o processo de criação dos arranjos musicais. Valorizo cada "lenço azul" que cai na música, seja suavizando ou pesando a arte musical como deve ser. Não sei se isso mexe com todas as pessoas, mas com certeza deve ter uma função especial! Por exemplo, eu me lembro de um dia, quando saí com um amigo para um show de jazz. Já estávamos, cada um a seu modo, unidos ao som que ecoava. Ali, em meio a todas as pessoas, veio a mim uma metáfora epifânica: será que neste corpo-banda o piano é que era os membros, o baixo era o coração, a bateria era o oxigênio que fazia pulsar as artérias e o sax entoava o que seria a nossa voz? Só sei que era meu momento de flutuar...

Nesse compasso, talvez por isso eu admire tudo quanto é tipo de música. Sem distinções. Porque no fundo o que eu quero mesmo é me sentir viva, sentir pulsando em mim cada barulhinho musical, venha de onde vier. Meu único critério é que deva alimentar sem azias ou regurgitações o meu silêncio contemplativo da arte e das letras.





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sexta-feira, 20 de maio de 2011

Crônica de uma tarde de sexta-feira

Depois de uma manhã exaustiva no trabalho, recebi o convite de uma amiga para almoçarmos juntas. Às vezes saio desenergizada das profundidades alheias e preciso urgentemente de uma descontração. Então, aproveitamos para colocar o papo em dia, com nossas banalidades acompanhadas de dois chopes ao ponto. Só não estava nos planos o perfume das peruas na mesa ao lado nos inebriando mais do que o álcool.

Decidimos comer a sobremesa no seu apartamento, que fica em frente ao shopping onde estávamos. Enquanto ela preparava o mousse industrializado de chocolate com pedaços, peguei um livro de bolso de Caio Fernando Abreu e fui à varanda passar o tempo.

, piscar é uma espécie de vírgula que os olhos fazem quando querem mudar de assunto.

Adorei esse trecho da página 60. Olhei para a frente e lá estava um segurança do shopping trabalhando, posicionado embaixo da árvore. Pensei: deve ser interessante trabalhar olhando a vida que ali circunda. Fiquei a imaginar o tanto de pessoas que transitam de lá para cá e de cá para lá!

O que será que passa na cabeça daquele sujeito a cada dia de trabalho? Que músicas ele fica ouvindo do rádio instalado dentro de sua cabeça? Eu ri sozinha imaginando como seria a voz de Silvano Salles, "o cantor apaixonado", declamando suas dores ali, no interior daquele homem. Sua cabeça fazia meneios de um lado para o outro, já que a atenção é necessária e a postura deve ser sempre ereta.

De onde eu estava pude ver um arsenal de tipos e "tipas" elencados por roupas, modos de andar, com suas conversas que podiam ser ouvidas aos trechos, entrecortados por exclamações, tons de voz e expressões faciais. Ah, não posso esquecer: ele não usa carimbos, mas deve haver uma paranoia instalada em cada profissional da área de segurança, sempre a postos para identificar o perigo a qualquer momento. Há também o tempo que muda o tempo todo em Salvador... E ali os dias iam, do sol escaldante às chuvas frontais, dos turistas aos pedintes; sem falar no fumante, do lado de fora, alimentando o vício. Tem aquele que passa apressado, o que vai bem devagar, o estressadinho ao telefone celular... ou o perfume que fica no ar!

Pisquei de novo e percebi que minha amiga já estava me chamando pela terceira vez. O mousse estava servido. Era, enfim, a descontração que eu precisava. E voltei a outros assuntos, enquanto eu refletia Drummond: "Eta vida besta, meu Deus"!



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terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Sobre aposentadorias e mudanças...

Incorporando-me à opinolândia midiática, venho falar sobre o fato mais relevante desta semana, que mal começou: o jogador Ronaldo se despediu dos campos, embora não do mundo do futebol, como as pessoas parecem pensar...

Manchetes de jornal e pautas de todos os programas proclamam a comoção mundial em torno d'O Fenômeno. Ok, tudo bem, ele certamente teve sua importância naquilo que fez e faz, porém, não é exagero todo mundo ter que dar seu depoimento (até eu)?

Cansei de trocar de canais ou mudar a página da net para não ter que me deparar com tanta lenga-lenga em torno de alguma história relacionada a Ronaldo. Até porque: todo mundo tem que aposentar um dia, gente! Inclusive o Sarney, que parece não querer largar o osso de jeito nenhum... Já imaginou como será a cobertura quando ele decidir sair, se não morrer antes?

O pior é constatar que quase toda notícia divulgada recentemente vem acompanhada de um assunto "parasita". A bola da vez é o hipotireoidismo. O que vai ter de gente procurando um endocrinologista para descobrir as reais razões de seu sobrepeso ou o que vai ter de programa matutino e vespertino falando a respeito... Não duvido o Globo Repórter reservar pauta exclusiva!

Enquanto isso, aguardamos ansiosamente por mudanças políticas ou algo que vá nos atingir em nossa vida real, além de só pensar em futebol, que nos faz sofrer de raiva. Minha torcida é que haja uma renovação no mínimo otimista nas cadeiras do Congresso e do Senado, onde o termo aposentadoria só serve mesmo para ser chacota àqueles que realmente mereceriam maior atenção...




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terça-feira, 14 de dezembro de 2010

A rede dos brinquedos


Final de ano, ruas escoando gente para todo lado, shoppings superlotados. Metade do tempo você gasta a encontrar uma vaga de estacionamento. Em meio a tudo isso, fui ajudar meu pai na compra de uma "lembrancinha" para meus sobrinhos. Nunca imaginei que fosse tão difícil: não há nada abaixo de 40 reais. E eu que achava que redes só de pesca, internet, supermercados, profissionais e sociais, percebi que também há a rede dos brinquedos.

Isto é, quando se encontra um brinquedo menos caro, você ainda descobre que é obrigado a comprar pelo menos mais cinco. A turma do Shrek aumenta cada vez mais: só na primeira gravidez da Fiona, vieram mais três ogrinhos! O pessoal do Toy Story também só vem de galera. E o Ben 10, a nova sensação do momento, transforma-se em mais de vinte alienígenas (Fantasmático, Besta, Insectóide, Ultra T, Normossauro... e por aí vai). O grande problema é que, como nós, cada um está no seu quadrado, ou melhor, no seu pacote.

Por fim, a questão: são mesmo brinquedos?

Onde antes fantasiávamos situações pertinentes às nossas identificações familiares, agora incorporamos modos de pensar, agir e brincar impostos por quem também se ocupa de nossa educação: a mídia comercial - televisiva, cinematográfica e cibernética.

Está claro que nossas atuais brincadeiras mimetizam a cultura da indústria da infância, que introjetamos via desenhos animados, jogos, filmes, publicidades e propagandas. Desde quando eu era criança já era assim; só mudavam as personagens. Eu já brinquei com bonecos da turma do Gulliver, He-man, Thundercats...

Mas, ao menos, pude brincar nas ruas, correndo e interagindo com meus vizinhos. Será que as crianças de hoje ainda aceitariam um iô-iô? Um pião? Umas bolinhas de gude?

Ou será porque não têm companhia para brincar, já que os pais trabalham diuturnamente, são filhos únicos, com vizinhança estranha e alheia, além de morarem em locais inseguros (apesar de alguns com vigilância)?

Sobre motivos preocupantes, abaixo segue trailer do documentário Criança, A Alma do Negócio, de Estela Renner e Marco Nisti, que diz do efeito da publicidade comercial no comportamento e nos valores das crianças (clique neste link para vê-lo na íntegra).





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